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Engenharia de cardápio: por onde começar quando a margem já está apertada.

Antes de mexer em preço, mexa em posição. A ordem das decisões muda o resultado mais do que o desconto que você não deu.

Por Clarissa Mezari

Cardápio impresso aberto, com fotos dos hambúrgueres e destaque para o item premiado da casa

Quando a margem aperta, o primeiro reflexo é subir preço. O segundo é cortar custo do prato. Os dois funcionam por um mês e cobram a conta depois: o cliente percebe a porção menor antes de perceber a inflação.

1. Descubra o que cada prato realmente faz pelo caixa

Engenharia de cardápio começa cruzando duas informações que quase todo restaurante já tem, mas raramente junta: quanto cada item vende e quanto cada item deixa. Popularidade de um lado, margem de contribuição do outro.

Desse cruzamento saem quatro grupos. Os pratos que vendem muito e deixam muito são o motor do negócio. Os que vendem muito e deixam pouco precisam de ajuste de ficha ou de preço. Os que deixam muito e vendem pouco precisam de posição no cardápio. E os que não fazem nem uma coisa nem outra ocupam espaço, estoque e atenção da cozinha.

Um cardápio com 60 itens não oferece mais opção ao cliente. Ele transfere a decisão para quem tem menos tempo de tomá-la.

2. Corrija a ficha técnica antes do preço

Preço só se sustenta em cima de custo conhecido. Ficha técnica desatualizada, rendimento estimado de cabeça e embalagem fora da conta produzem um CMV que parece bom na planilha e não aparece no banco.

3. Só então mexa no preço

Com custo real e mix na mão, o aumento deixa de ser linear. Você sobe onde o cliente não compara, mantém onde a comparação é direta e reposiciona o que precisa de outro papel na carta. O ticket sobe sem que a percepção de preço mude na mesma proporção.

4. O cardápio é uma peça de design, não uma lista

Ordem de leitura, hierarquia, descrição e destaque decidem o que o cliente pede. Uma descrição que conta origem, preparo e porção vende mais que um nome sozinho — e permite cobrar pelo que o prato realmente é.

É por isso que tratamos cardápio e marca como o mesmo projeto. A carta é o único material de marketing que o cliente lê inteiro, com atenção, na hora exata da decisão de compra.

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